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JUÓ BANANÈRE E A LITERATURA BRASILEIRA

20/07/2010

Nas escolas médias e superiores destas últimas décadas, quando se estuda a Literatura Brasileira, principalmente o Modernismo, a preocupação maior é com vultos literários como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti Del Picchia e outros. Todavia, é praticamente (ou totalmente) ignorada a importância de Juó Bananère, pseudônimo jocoso de Alexandre Ribeiro Marcondes Machado, que, ao observar os imigrantes italianos que trabalhavam nas lavouras do Vale do Paraíba, falando um português com sotaque italiano, sem contar as inúmeras plantações de bananas, em vez de João Bananeiro, ficaria Juó (pronuncia-se Djuó) Bananère. Foi este pseudônimo que Alexandre Ribeiro Marcondes Machado usou em todos os seus trabalhos em prosa e em versos humorísticos, todos escritos nesse dialeto «ítalo brasileiro» que bem caricatura o modo dos imigrantes italianos radicados no Brasil (principalmente em São Paulo) falarem.
Paulista de Pindamonhangaba, nasceu Juó Bananère aos 11 de abril de 1892 e veio a falecer muito cedo, em 1933, com apenas 41 anos de idade. Conhecedor profundo de vários idiomas, familiarizou-se com o italiano, pois, ao entrar na Politécnica, mudou-se para a Capital paulistana e aqui, travou contato com a colônia italiana e, devido à sua amizade com eles, transitava pelos bairros do Bom Retiro (próximo à Escola de Engenharia), Brás, Bixiga, Barra Funda, e, observando todos os costumes do povo, além da situação política caótica que vivia o País, tais fatos o incentivaram para que fundasse o pasquim «Diário du Abax’o Piques», onde era também diretor e colaborador com poemas satíricos e noticiários, todos escritos no seu dialeto macarrônico que bem satirizava a Velha República e, além de tudo, se auto-satirizava, quando criou uma biografia lendária do Juó Bananère (e não do Alexandre), dizendo:«Mio nomo è Juó du Abax’o Piques Bananère, giurnaliste, poete, barbière – unu dus migliore barbièri cun saló in San Baolo, uómino morto cuncetuado nas roda pulítica i suciali...i tambê só u primiere zanfoniste da banda du Fieramosca i gandidato à Gademia Baolista di Letras...» (este texto foi extraído de sua obra «LA DIVINA INCRENCA», fonte de estudos profundos de Lingüística, principalmente no tocante à literatura da «belle époque».
Dessa maneira, o manancial deste bardo, também colaborador do «PIRRALHO», é riquíssimo e, ao sentir o seu passamento próximo, escreveu, como uma despedida sentimental, a seguinte quadra: «Discançe migna cova lá nu Piques/num lugaro sulitário i triste/imba’xo duma cruiz i scrivan’ella: Fui poeta, Barbiere i giusnaliste...».

CYNTHIA THEODORO PORTO, bacharel em Letras e Direito, além de poetisa, musicista e literata, moradora da Capital paulistana.
Email:
cynthiatheporto@ig.com.br

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